Homossexualidade: entre a controvérsia e a aceitação

A homossexualidade continua sendo um assunto que gera controvérsias, ainda que nos dias de hoje seja mais aceita se comparado a alguns anos atrás e tenha deixado de ser patologia e pecado para tornar-se expressão natural da sexualidade humana, ou seja, é um “modo de ser sexual”, uma questão humana comum assim como todas as outras.

Homossexualidade e homoafetividade: qual a diferença?

Embora pareçam iguais, homossexualidade e homoafetividade não significam a mesma coisa. Por não haver uma dissociação correta entre as duas palavras, muitos pensam que ambas descrevem apenas o interesse sexual de pessoas pelo mesmo sexo, porém, existem diferenças entre esses dois termos.

– Homossexualidade: esse termo é utilizado para referir-se ao interesse e o desejo sexual por pessoas do mesmo sexo. Ganhou popularidade nos últimos anos após a compreensão de que a orientação homossexual não é doença e agora substitui o termo homossexualismo (fortemente ligado ao conceito de patologia) que caiu em desuso por conta disso – apesar de ainda ser usado em discursos tradicionais e/ou homofóbicos.

Quando a atração natural está voltada ao mesmo sexo, ocorre a homossexualidade. Ou seja, a homossexualidade é uma variação normal da sexualidade, como a heterossexualidade.

– Homoafetividade: esse termo é mais recente e surgiu para expressar com mais exatidão os relacionamentos estáveis das pessoas com orientação homossexual, seja namoro, casamento, etc. É essa expressão que dá ênfase aos aspectos emocionais (principalmente, o amor) e na realização conjugal das partes envolvidas, tornou-se muito utilizada como uma expressão jurídica para tratar do direito relacionado a união de casais do mesmo sexo.

Em resumo, a homossexualidade refere-se à orientação sexual e homoafetividade refere-se ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo.

O termo LGBT

O termo LGBT (ou LGBTTT) é a abreviatura de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, que representa diferentes tipos de orientações sexuais. Usada desde 1990, essa sigla é uma adaptação do termo LGB, que foi criada para substituir o termo ‘gay’ utilizado para se referir à comunidade LGBT no fim da década de 1980.

Atualmente, o termo LGBT é bastante popular e tem sido adotado pela maioria dos centros comunitários sobre sexualidade e gênero e em meios de comunicação nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, França e Turquia. Ele promove a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de gênero e também pode ser usado para se referir a qualquer um que não é heterossexual ou não é cisgênero (indivíduo que se identifica, em todos os aspectos, com o seu “gênero de nascença”), ao invés de unicamente se referir as pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros.

Quanto ao termo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), muito usado até a alguns anos atrás aqui no Brasil, foi criado nos anos 90 pelo empresário e criador do portal MixBrasil, André Fischer, e utilizado para definir espaços, produtos, serviços e locais destinados ao público homossexual.

Em outras palavras, é um termo mercadológico. Porém, por vezes foi usado indiscriminadamente como sinônimo para a sigla LGBT, o que é um erro, já que não existem relação alguma entre as palavras. Enquanto a primeira se refere ao segmento de mercado, incluindo pessoas de qualquer orientação sexual, a segunda tem um caráter político-social, referindo-se ao conjunto das minorias sexuais e identidades de gênero divergente da designada no nascimento.

Preconceito e aceitação

Graças aos valores negativos relacionados a homossexualidade e a conduta homofóbica que ainda repercute em diversos discursos tradicionalistas, não é raro que a maioria dos homossexuais não consiga se assumir e optam por viver encobrindo sua verdadeira orientação sexual, geralmente por culpa, vergonha e medo. Sem contar a falta de apoio familiar em alguns casos – especialmente quando a base é conservadora.

O fato de vivermos em uma sociedade tradicionalmente heterossexual, onde os valores de casamento e família são o homem e a mulher, é incompreensível para alguns o comportamento de amar e se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo. Por essa razão os homossexuais são tratados de maneira estereotipada e preconceituosa, pois na visão de muitos, essas pessoas vão contra o que foi ensinado, o que é “certo”.

Apesar de ainda ser muito comum notícias e relatos de atitudes homofóbicas, aos poucos a sociedade tem compreendido que a homossexualidade não é nenhum comportamento negativo, assim como aprendido a respeitar tais relações homossexuais, com aceitação, educação e apoio.

Seria mentira dizer que o preconceito não existe, porém, em vista de uma época em que os homossexuais não tinham o direito de se assumir, atualmente a comunidade LGBT tem ganhado importantes conquistas, como o direito ao casamento e a adoção de uma criança perante a união homoafetiva estável. E essa luta ainda vai longe, se depender da comunidade que continua buscando por mais de seus direitos.

Bem como os relacionamentos heterossexuais são baseados no amor, companheirismo e aceitação, os relacionamentos homossexuais seguem os mesmos preceitos. Independente da orientação sexual, o que importa é o amor entre as pessoas, não apenas no âmbito sexual, mas no desejo de intimidade, afeto e acolhimento.

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