Dia Internacional da Mulher: o símbolo da luta feminina

Embora o Dia Internacional da Mulher atualmente seja visto como uma data comemorativa onde nós mulheres ganhamos chocolates, flores e homenagens, a história por trás da criação dessa data não é assim tão alegre e o significado vai muito além de apenas “enaltecer” o sexo feminino com presentes.

O dia 08 de março simboliza, não só a luta de milhões de mulheres na conquista de direitos, mas também é um momento para debater as discriminações e violências físicas, morais e sexuais ainda nós mulheres ainda sofremos, com o intuito de abrir os olhos da sociedade para estas questões, assim como impedir que retrocessos prejudiquem o que já foi alcançado em diversos países.

A origem da data

Os primeiros passos para o nascimento do Dia Internacional da Mulher aconteceu no final do século 19, quando os movimentos operários formados por organizações femininas em vários países dos Estados Unidos e da Europa, protestaram contra as jornadas de trabalho de mais de 15 horas diárias e os salários medíocres, reivindicando melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comuns nas fábricas durante a Revolução Industrial.

Ao longo de todo o século 20, as lutas feministas ganharam mais força e a mulheres passaram a conquistar direitos que antes eram limitados aos homens, como o direito ao voto, por exemplo. Em 1908 nos Estados Unidos, aconteceu o primeiro Dia Nacional da Mulher, data celebrada por cerca de 1500 mulheres que aderiram a manifestação em prol da igualdade econômica e política no país.

Nos anos seguintes e, principalmente, com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os protestos femininos eclodiram por todo o mundo. E em 8 de março de 1917, com a manifestação de 90 mil operárias contra o Czar Nicolau II devido as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra, que a data se consagrou, apesar de oficializada como Dia Internacional da Mulher apenas em 1921.

No entanto, somente 20 anos mais tarde – em 1945 – que a ONU (Organização das Nações Unidas) assinou o primeiro acordo internacional reconhecendo os princípios de igualdade entre homens e mulheres. E em 1977, as Nações Unidas assegurou oficialmente o “8 de março” e então comemorou-se oficialmente o Dia Internacional da Mulher.

A mulher na modernidade

Desde a antiguidade, muitas sociedades construídas em base patriarcal consideravam a mulher como inferior. Por séculos, o sexo feminino ficou restrito a submissão e ao ambiente familiar, como cuidar do marido, dos afazeres do lar e ser uma mera progenitora. Sem direitos ou significância social.

Porém, agora os tempos são outros. Atualmente, mais do que boa mãe e dona de casa, a mulher almeja estudar, dirigir, viajar, entre outras coisas que antigamente eram reservadas apenas para os homens. E, acredite, estão fazendo isso e muito bem.

Ao longo da história, nós mulheres conquistamos nosso espaço e quebramos o estereótipo de “sexo frágil”. Passamos de simples coadjuvantes, limitadas a vida doméstica, para ocupar funções importantes no âmbito social. Alcançamos com determinação, não só o mercado de trabalho e setores antes compostos apenas por homens, como a política e a economia, mas também direitos sociais significativos.

Apesar do caminho para estas conquistas não ser fácil e muitas culturas ainda relutarem em reconhecer a nossa importância, com comportamentos e preconceitos contrários à emancipação feminina, continuamos buscando nossa posição, bem como novas alternativas de atuação e menos limitação em nossas atitudes, para ter acesso à posições estratégicas, tanto em suas profissões, quanto na sociedade em si.

Apesar da autonomia feminina ainda avançar com certa lentidão, tais mudanças estão cada vez mais evidentes no cotidiano. Hoje, somos a maioria no mercado de trabalho e também nas universidades, representando 57,1% do total de estudantes. Além disso, contribuímos mais – financeiramente – com os gastos da casa, correspondendo a 37,3% do sustento das famílias, isso quando não somos as principais provedoras, o que aumenta ainda mais essa porcentagem.

Estes índices mostram que, pouco a pouco, nós mulheres estamos tomando nosso lugar e construindo um novo papel, fora dos padrões patriarcais.

O novo papel da mulher

Afinal, qual é o nosso papel nos dias de hoje?

Com as transformações que a modernidade trouxe, a modificação na estrutura familiar clássica e com o homem partilhando a criação dos filhos e as tarefas domésticas, deixamos de ser apenas ‘donas do lar’ e se tornamos ‘mulher-profissional-esposa-mãe’. Vamos ao mercado de trabalho, estudamos, cuidamos dos filhos e do marido, e também, cuidamos da nossa feminilidade.

Claro que exercer mil e uma funções não é um mar de rosas, porém, aprendemos a lidar com esses problemas e reconhecer as dificuldades que encontramos ao longo do percurso, para avançar em muitas outras áreas e comprovar nossa competência.

E mesmo que ainda exista aqueles que acreditam que “lugar de mulher é no fogão” e as desigualdades de gênero persistam, como salários menores e dificuldades de ascensão na carreira, ou sermos a minoria em cargos de poder e prestígio, continuamos a lutar para superar essas desigualdades de oportunidades.

É uma tarefa árdua e ainda temos um longo caminho a percorrer, mas aos poucos vamos quebrando os padrões impostos, mostrando que é possível sim a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O Sexualidade & Você deseja um feliz dia para todas as mulheres, especialmente para as suas colaboradoras e suas leitoras!

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